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Seja bem-vindo a este espaço de interlocução, em que o pensar habita o momento.

Aqui o diálogo e a reflexão sobre linguagens e comportamentos humanos contemporâneos se constituem e se configuram num tecer contínuo e múltiplo de fios e teias e redes.

São as palavras que dão som de ditos, saber e sabor de confabulações. Ora diálogo ora sussurro ora conversas. Vozes desassossegadas.

Meu convite ...


Cafezinho Mineiro
sentar-se na cozinha ao pé do fogão à lenha, cafezinho com pão de queijo, broa de fubá e boa prosa, divagações...

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A melhor sensação do mundo
Daniela Theodoro

Uma vez, em reunião com amigos, daquelas de jogar conversa fora (ou dentro- dependendo da perspectiva), chegamos a um impasse: ir para casa ou continuar a falar bobagens. Escolhemos, claro, a segunda. Afinal, existe algo melhor do que ficar falando abobrinhas a noite toda? (tenho certeza que existe, mas agora não me vem nada melhor à cabeça). Então, já quase bêbados, propomo-nos a alguns desafios: escolher a personalidade de que gostaríamos de passar a noite (ou o dia, ou os dois). As respostas variavam muito ao gosto do freguês: desde Murilo Rosa (!!!) até Kate Middleton- que está na última moda. Até que chegamos a questões mais filosóficas e menos animalescas. A pergunta era: “qual a melhor sensação do mundo?”. “Banho quente” – um respondeu; “feriado”- outro; “beijar na boca”; e outras menos publicáveis... Até que um amigo disse fechando a discussão: “material escolar novo”. Caderno em branco para encapar e colocar etiquetas, lápis para apontar, apontador, borracha colorida, canetinhas...
Não houve quem discordasse.
Após um minuto de silêncio, todos concordavam que nada se igualava àquela sensação: quando, no início do ano, chegavam os materiais novos, aquele cheiro, aquela textura...que felicidade clandestina!! Fazíamos juramento secreto e silencioso de que aquele ano seria diferente. Seríamos mais caprichosos e cuidadosos com eles, pelo menos nas duas primeiras semanas, e depois... voltávamos a ser os mesmos de antes, sonhando com o ano seguinte e com a sensação de que também seríamos novos novamente para começar tudo de novo.

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