Boas-vindas
Seja bem-vindo a este espaço de interlocução, em que o pensar habita o momento.
Aqui o diálogo e a reflexão sobre linguagens e comportamentos humanos contemporâneos se constituem e se configuram num tecer contínuo e múltiplo de fios e teias e redes.
São as palavras que dão som de ditos, saber e sabor de confabulações. Ora diálogo ora sussurro ora conversas. Vozes desassossegadas.
Meu convite ...
Cafezinho Mineiro
sentar-se na cozinha ao pé do fogão à lenha, cafezinho com pão de queijo, broa de fubá e boa prosa, divagações...
ACESSE O SITE PARA CONHECER AS OPÇÕES DE CURSOS E PALESTRAS: www.cursosdanielatheodoro.com
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
SOBRE A FAMÍLIA
Texto extraído do livro "O Arroz de Palma", de Francisco Azevedo",
Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.
E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini; Família à Belle Meunière; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.
domingo, 26 de dezembro de 2010
CRÔNICA DE NATAL
Daniela Theodoro
Era ainda bem cedo. As ruas seguiam o movimento do vai e vem de pessoas e coisas e carros sem intermitências. O barulho do trânsito se confundia com o barulho de sacolas e embrulhos. O céu deveria estar claro, mas estava fechado de um cinza acastanhado. Este ano observei algo ainda diferente: as ruas com pouco brilho, menos luz. Reparou? Brinquei de contar enfeites de natal durante meu percurso. Contei apenas quatro. Prova de que as pessoas estão se desvinculando da alegria do Natal. Todos intoxicados pelos excessos a que se impuseram, pela pressa, pela falta de tempo. Consomem e são consumidos cada vez mais pelos donos temporais que devassam nosso claro estoque de manhãs e de luas e de poesias que trazemos no sangue e no vento e na alma.
Avistei no meio da multidão alguém com vestimentas singulares. Era um homem com chapéu. Vestia um paletó escuro e usava no peito uma placa com alguns escritos. Da distância que estava não dava para ler. Detive-me a observá-lo por um instante. Aproximei-me. Seus olhos eram grandes e brilhantes. Li a placa: Vendem-se sonhos. Não acreditei. Uma suntuosa curiosidade me dominou. Quase imaginei aquele doce com açúcar polvilhado. Mas não vi nada. Não trazia nada. Incrédula, perguntei:
-Você vende o quê??
-Sonhos, respondeu-me.
-Mas sonhos de quê? Com um sorriso espantado.
-Sonhos! Você não tem sonhos?
-Claro! Mas como vender o invendável? Esforcei-me para entender.
-De quantos precisa? Tenho de todos os tipos e tamanhos.
Por um momento fiquei a pensar e me lembrei da lâmpada mágica de Aladim e o gênio dizendo “seu desejo é uma ordem...” os três desejos. Que brincadeira gostosa. O gênio da lâmpada solicitando os meus desejos... No mínimo me veio, claro, a megassena acumulada da virada de ano...
Voltei para a realidade.
– De quantos precisa? Falou-me com ternura.
Meu Deus! O mundo caindo sobre nossas cabeças e este homem na rua vendendo sonhos...
Resolvi entrar na brincadeira, pois era Natal e essa data é sempre envolvente. Não é todo dia que encontro alguém vendendo sonhos por aí. Resolvi aproveitar.
-Quanto custa cada sonho?
-Vendo-os pelo preço da sua credibilidade. Basta pedir, acreditar e comprar.
Vou me esbaldar, pensei. E logo comecei a brincar de fábrica de sonhos.
Antes que pudesse continuar, estendeu-me as mãos e disse:
-Diga-me, de quantos sonhos precisa?
-Não sei! Tenho certeza de que a minha lista está aqui em algum lugar. Mas sinto-os embaraçados. Alguns interrompidos; outros até esquecidos.
-Deixe que eles floresçam naturalmente. Permita-se alimentá-los. Espere até que eles se enraízem. Quer ajuda? Pense no Natal..., que é sobretudo nascimento e renascimento. Natal é sonho de gente que se encanta, que se alegra, que se conhece, que se estima. Natal é voltar à infância, sonho de criança, dormir ansioso para receber os presentes no dia seguinte. São brilhos de felicidade simples. Cheiro de comidas, convivência. Natal é a anunciação de uma nova era para os “homens de boa vontade”. O Natal nos oferece o sonho, a oportunidade de refletirmos sobre o que fomos, quem somos, o que queremos, aonde chegar, com quem chegar. É o momento de fazer o balanço, de renovarmos as metas, de nos propormos mudanças, já que a vida nos requer a experiência da finitude. É hora de recusar que a convivência e as emoções fiquem paradas no tempo. É se permitir a aproximação, a desventura contínua. É se permitir pensar sem se programar como um robô, sem alma, sem sonhos. É dizer não para a ditadura racionalista que não compreende o espaço do intervir, do ser-a-vir, do vir-a-ser, da necessária autonomia de sonhar. Enquanto pensa e organiza seus sonhos, deixo-lhe uma amostra. E me entregou um saquinho de pano.
Mesmo embriagada pelas palavras do homem, quis abri-lo imediatamente.
–Não o abra agora.
Fiquei parada olhando o embrulho e até me esqueci de que estava no meio da rua. Uma buzina de ônibus me fez despertar. Olhei de um lado a outro. Ele já não estava mais lá.
Abri rapidamente a sacola e encontrei um papel com o desenho de uma vírgula.
Num primeiro momento não entendi nada. Lembrei-me de Clarice que abre e fecha livros com uma vírgula. E logo compreendi. Ele tinha razão. Era preciso sempre continuar, seguir em frente. Sem ponto final.
Organizei meus sonhos por alguns minutos e saíram naturalmente: saúde (para o corpo), paz (para a alma) e respeito cuidadoso (para mim e para meu semelhante).
...E a megassena acumulada? Devem estar me perguntando.
Ela é consequência dessas conquistas, porque Natal é todo dia. É fraternidade. É se colocar no lugar do outro. É diálogo. É perdão. É paciência e tolerância. Enfim, é aprendizagem envolvente.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
SONO COLOQUIAL
Da velhice
sempre invejei
o adormecer
no meio de conversa.
Esse descer de pálpebra
não é idade nem cansaço.
Fazer da palavra um embalo
é o mais puro e apurado
senso da poesia.
(Mia Couto)
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
ARTICULADORES PARA REDAÇÃO
PRIMEIRO PARÁGRAFO
Colocar uma afirmação:
TEMA + SUA OPINIÃO EM RELAÇÃO A ELE.
EX: TEMA:
PLATAFORMA CONTRA AS FOMES DO BRASILEIRO
1º parágrafo:
Uma boa plataforma para os candidatos à presidência seria atender a esse estado de desnutrição, física e emocional, do povo brasileiro.
ARTICULADORES DE OPOSIÇÃO DE IDEIAS
APESAR DE
CONQUANTO
EMBORA
POR MAIS QUE
A DESPEITO DE
MALGRADO
EM CONTRAPARTIDA
Exs: “APESAR DO vidro fumê e dos controles remotos, ainda estamos nos tempos das cavernas”.
“Doentes de medo, desviamos o nosso olhar da realidade, EMBORA no fundo queiramos proteção de uma polícia eficaz”.
ARTICULADORES PARA CAUSA E CONSEQUÊNCIA
COM
POR
JÁ QUE
VISTO QUE
UMA VEZ QUE
Exs: “COM as carências da alma, da fome da condição humana (CAUSA), os brasileiros representam uma nação de famintos” (CONSEQUÊNCIA).
“JÁ QUE precisamos sanar a fome de tudo o que merecemos (CAUSA), devemos escolher bem os nossos governantes” (CONSEQUÊNCIA).
ARTICULADORES DE ADIÇÃO DE IDEIAS
BEM COMO
E
NÃO SÓ (...) MAS TAMBÉM
Ex: “Várias fomes cabem no conceito de justiça, BEM COMO confiança e dignidade”.
ARTICULADORES CONDICIONAIS
SE
CASO
CONTANTO QUE Ex: “CASO pensemos na fome física, vemos as crianças comendo lixo ou a tradicional farinha com água, quando se tem água”.
VEJA COMO AMARRAR SEUS PARÁGRAFOS
Nos parágrafos de desenvolvimento, utilizar para fazer as "amarrações":
Nessa perspectiva,
Sob essa ótica,
Considerando esse contexto,
A partir desse contexto (ou conceito),
Diante desse quadro,
Nos últimos anos,
Assim,
Desse modo,
Dessa maneira,
Por um lado, (...) por outro (...)
Nos parágrafos de conclusão:
Portanto,
Logo,
Assim,
REDAÇÃO NOTA 10 PARA O ENEM
1- A VARIEDADE LINGUÍSTICA A SER UTILIZADA É O PADRÃO CULTO FORMAL, OU SEJA, VOCÊ DEVE FAZER USO DA ESCRITA DENTRO DAS NORMAS GRAMATICAIS.
2- EVITE OS FAMOSOS CHAVÕES: HOJE EM DIA; NOS DIAS DE HOJE; ATUALMENTE; NO MUNDO GLOBALIZADO; CADA DIA MAIS; CADA VEZ MAIS. ESSAS EXPRESSÕES EMPOBRECEM O SEU TEXTO.
ALÉM DISSO, NÃO USE A PRIMEIRA PESSOA (EU). PREFIRA SEMPRE A 3ª PESSOA DO SINGULAR OU PLURAL (COLOCANDO OS VERBOS NESSAS PESSOAS). EXEMPLOS: RESSALTA-SE; PERCEBE-SE; CONSTATA-SE; ENTENDE-SE; ETC.
3- FAÇA UMA LETRA LEGÍVEL (DE PREFERÊNCIA BEM BONITA)- OS CORRETORES DETESTAM LER REDAÇÃO COM ESCRITA DE DIFÍCIL ENTENDIMENTO.
4- OBEDEÇA AO NÚMERO DE LINHAS SOLICITADO. GERALMENTE SÃO 30 LINHAS.
5- O TÍTULO DEVE SER CRIATIVO, ORIGINAL E DEVE REPRESENTAR A SÍNTESE DO SEU PONTO DE VISTA.
6- ESCREVA NO PRIMEIRO PARÁGRAFO UMA AFIRMAÇÃO SOBRE O SEU PONTO DE VISTA OU ESCREVA A RESPOSTA À PERGUNTA FEITA NA PROPOSTA. "NÃO ENCHA LINGUIÇA" E VÁ DIRETO AO ASSUNTO.
7- IMPORTANTE: MOSTRE QUE VOCÊ É BEM INFORMADO. COPIE E DECORE DADOS ESTASTÍTICOS DE PESQUISAS RECENTES, OU CITAÇÕES DE AUTORES CONSAGRADOS SOBRE EDUCAÇÃO, MEIO AMBIENTE, DIVERSIDADE CULTURAL, NOVAS TECNOLOGIAS. ESSES SÃO OS PRINCIPAIS TEMAS QUE CAEM EM PROVAS DE CONCURSOS.
8- A PARTIR DO 2º PARÁGRAFO, INTRODUZIR AS FRASES COM ARTICULADORES. VEJA AQUI NO BLOG O LINK COMO AMARRAR SEUS PARÁGRAFOS.
9- SE PRECISAR, VOCÊ PODE MANDAR SEUS TEXTOS PARA CORREÇÃO ON-LINE NO SITE: WWW.CURSOSDANIELATHEODORO.COM
VEJA PACOTES PROMOCIONAIS DE CORREÇÃO.
10- BOA PROVA!!!
terça-feira, 31 de agosto de 2010
SOBRE O TEMPO
José Saramago
Tens noventa anos.És velha, dolorida.Dizes-me que foste a mais bela rapariga
do teu tempo - e eu acredito. Não sabes ler.Tens as mãos grossas e
deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e
lenha, albufeiras de água.Viste nascer o Sol todos os dias.De todo o pão que
amassaste se faria um banquete universal!Criaste pessoas e gado, meteste os
bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los.Contaste-me
histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de
morte.Trave da tua casa, lume da tua lareira sete vezes engravidaste, sete
vezes deste à luz.
Não sabes nada do Mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de
literatura, nem de filosofia, nem de religião.Herdaste umas centenas de
palavras práticas, um vocabulário elementar.Com isto viveste e vais
vivendo.És sensível às catástrofes e também aos casos da rua, aos casamentos
de princesas e ao roubo dos coelhos da vizinha.Tens grandes ódios por
motivos de que já perdeste lembrança, grandes dedicações que assentam em
coisa nenhuma.Vives.Para ti, a palavra Vietnam é apenas um som bárbaro que
não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio.Da fome sabes alguma
coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja.(Contaste-me tu,
ou terei sonhado que o contavas?...) Transportas contigo o teu pequeno
casulo de interesses.E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre.O teu
riso é como um foguete de cores.Como tu, não vi rir ninguém.
Estou diante de ti e não entendo.Sou da tua carne e do teu sangue, mas não
entendo.Vieste a este Mundo e não curaste de saber o que é o Mundo.Chegas ao
fim da vida, e o Mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma
interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não fazia parte da tua
herança: quinhentas palavras, um quintal, a que em cinco minutos se dá a
volta, uma casa de telha vã e chão de terra batida.Aperto a tua mão calosa,
passo a minha mão pela tua face enrugada e pelos teus cabelos brancos,
partidos pelo peso dos carregos- e continuo a não entender.Foste bela,
dizes, e bem vejo que és inteligente.Porque foi então que te roubaram o
mundo? Quem to roubou? Mas disto entendo eu, e dir-te-ia o como, o porquê e
o quando se soubesses compreender.Já não vale a pena.O mundo continuará sem
ti- e sem mim.Não teremos dito um ao outro o que mais importava.
Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não
são as tuas, o mundo que te era devido.Fico com esta culpa de que me não
acusas- e isso ainda é pior.Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira
da porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada
sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores
assombradas, e dizes com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o
fogo da tua adolescência nunca perdida: "O mundo é tão bonito, e eu tenho
tanta pena de morrer!"
É isto que eu não entendo- mas a culpa não é tua.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
DICA: COMO ARTICULAR SEUS TEXTOS DISSERTATIVOS
O primeiro parágrafo deve ser SEMPRE uma afirmação ou resposta à pergunta feita pela proposta.
PRIMEIRO PARÁGRAFO
Colocar uma afirmação:
TEMA + SUA OPINIÃO EM RELAÇÃO A ELE.
EX: TEMA:
PLATAFORMA CONTRA AS FOMES DO BRASILEIRO
1º parágrafo:
Uma boa plataforma para os candidatos à presidência seria atender a esse estado de desnutrição, física e emocional, do povo brasileiro.
ARTICULADORES DE OPOSIÇÃO DE IDEIAS
APESAR DE
CONQUANTO
EMBORA
POR MAIS QUE
A DESPEITO DE
MALGRADO
EM CONTRAPARTIDA
Exs: “APESAR DO vidro fumê e dos controles remotos, ainda estamos nos tempos das cavernas”.
“Doentes de medo, desviamos o nosso olhar da realidade, EMBORA no fundo queiramos proteção de uma polícia eficaz”.
ARTICULADORES PARA CAUSA E CONSEQUÊNCIA
COM
POR
JÁ QUE
VISTO QUE
UMA VEZ QUE
Exs: “COM as carências da alma, da fome da condição humana (CAUSA), os brasileiros representam uma nação de famintos” (CONSEQUÊNCIA).
“JÁ QUE precisamos sanar a fome de tudo o que merecemos (CAUSA), devemos escolher bem os nossos governantes” (CONSEQUÊNCIA).
ARTICULADORES DE ADIÇÃO DE IDEIAS
BEM COMO
E
NÃO SÓ (...) MAS TAMBÉM
Ex: “Várias fomes cabem no conceito de justiça, BEM COMO confiança e dignidade”.
ARTICULADORES CONDICIONAISSE
CASO
CONTANTO QUE Ex: “CASO pensemos na fome física, vemos as crianças comendo lixo ou a tradicional farinha com água, quando se tem água”.
Nos parágrafos de desenvolvimento, utilizar para fazer as "amarrações":
Nessa perspectiva,
sob essa ótica,
Considerando esse contexto,
A partir desse contexto,
Diante desse quadro,
Nos últimos anos,
Assim,
Desse modo,
Dessa maneira,
Por um lado, (...) por outro (...)
Nos parágrafos de conclusão:
Portanto,
Logo,
Assim,
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
SANTA CLARA: TERRITÓRIO DA MEMÓRIA
Seguia montado no cavalo Vaterlu, vara de bambu e rédeas de embira, pra Santa Clara – território das minhas lembranças. Outros cavaleiros na égua mansa Boneca, Queimadinho, a mula Liviana e Banarrabo. Cavalos de toda qualidade: cabo de vassoura, porrete, taquara, cabo de enxada. A turma pulava, disparava, dava coices, saltava. Depois, cansados, banho de bacia e colchão de palha.
A cocheira ficava junto do curral, no terreiro. Lá estavam vaquinhas de sabugo de milho, bois formando juntas, nas cangas, pra puxar carroça e carro de boi. No chiqueiro improvisado, palitos de fósforo espetados em chuchu criavam porquinhos e seus rabicós.
Apeado, entrava na cabaninha de embiri, feita com companheiros de fuzarca. Na casa, reconfigurava-se a família: pai, mãe, irmãos e irmãs. Apoiada em estacas enfiadas no chão duro, tinha quartos, sala e o fogão de barro. A voz da mãe ecoa na lembrança: vê lá se não faz confusão dentro de casa...
Às vezes, a brincadeira era religiosa: missas, procissões, andor solene com um santo. Rezava-se o terço, como nas noites, todos reunidos na cama dos velhos, com a voz sumida de sono e de tédio. Nem assim a família deu um padre, pra eterna queixa de dona Filó. Somente as filhas, várias, comandam movimentos e rituais nas suas igrejas.
Outras vezes, a aventura era descer o morro escorregando pelo capim na folha de um coqueiro. Ficava um amassado cheio de rastros, trilhos, o morro pelado. Nem precisava de queimada.
Via a comadre da mãe, Sá Julita, pano amarrado na cabeça, pito de palha pendurado na orelha, pé chato de tanto andar pelos caminhos da roça. Sorriso com único dente, ela era forneira requisitada. Fazia de tudo: arrumava porco, assava quitandas, enchia tachos de cobre com goiabada e pessegada, tesouro guardado em caixetas de madeira na dispensa. Saia comprida até os tornozelos, ela ajudava a fazer polvilho de araruta, que resultava em mingaus, brevidades e biscoitos doces.
Dia de assar quitanda era uma festa, perigo para as crianças. Lenha no forno grande de tijolo, copa de cupim pra conservar calor nos orifícios. Depois, tirava as brasas e cinzas, a vassoura de alecrim deixando cheiro bom. Amassava em gamelas, enrolava a massa e colocava em latas pra assar. Vinham o biscoito gordo, biscoito de polvilho, rosquinhas de nata, broas de fubá e a estrada de ferro, broinha feita de farinha de trigo.
O fubá para as broas vinha do munho d’água da Cambreca, mulher baixinha do gigante alemão Krambeck. Com as pernas grossas, ia pra lá e pra cá, fuçadeira, resmungando que estava com pressa pra fazer fogadim, fogadim que o Leopoldo gosta tanto. Didinha usava paletó marrom com bolsos grandes, que enchia com tudo que se apresentasse no caminho.
O pai matava porco todo sábado. Freguesia queria toicinho pra fazer comida, uai! Fritavam, deixavam talhar. Não deixando entrar água, durava mais de mês. A carne, depois de frita, ia pras latas de leite. Outra carne, moída, era para fazer a famosa linguiça do Braga, vendida na segunda em Barbacena.
Seu Joanico trazia leite pra fábrica de queijos em frente. Vinha pachorrento numa égua que fornecia leite para o irmãozinho, Pacelli, nome de papa, que só se alimentava assim. Tudo ali mesmo, na porta da venda. Havia também o leite das cabritas Mentira e Lembrança. Esta, marrom e bonita. Mentira, branquinha e manhosa, negava o leite, apanhava, deitava de pernas pra cima. O pai ordenhava assim mesmo, improvisado.
A família continua sua jornada até hoje entre mentiras e lembranças. Penoso retornar para o galope dos cavalos de aço da capital. Santa Clara que nos dê luz nesses caminhos incertos, perpassados pela memória e pelo esquecimento. Viagens pela infância.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
NÃO ADOEÇA!!
Dr. Drauzio Varela.
Se não quiser adoecer – “Tome decisão”.
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia.
A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões.
A história humana é feita de decisões.
Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.
Se não quiser adoecer – “Busque soluções”.
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas.
Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo.
Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão.
Pequena é abelha, mas produz o que de mais doce existe.
Somos o que pensamos.
O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.
Se não quiser adoecer – “Não viva de aparências”.
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso… uma estátua de bronze, mas com pés de barro.
Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas.
São pessoas com muito verniz e pouca raiz.
Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.
Se não quiser adoecer – “Aceite-se”.
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos.
Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável.
Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos.
Imitadores, competitivos, destruidores.
Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.
Se não quiser adoecer – “Confie”.
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras.
Sem confiança, não há relacionamento.
A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.
Se não quiser adoecer – “Não viva sempre triste”.
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem a vida longa.
A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive.
“O bom humor nos salva das mãos do doutor”.
Alegria é saúde e terapia.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
AMAR DE FLORBELA ESPANCA
Florbela Espanca
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
sexta-feira, 23 de julho de 2010
O QUE É LER?
Tudo é leitura. Tudo é decifração. Ou não.
Ou não, porque nem sempre deciframos os sinais à nossa frente. Ainda agora os jornais estão repetindo, a propósito das recentes eleições, “que é preciso entender o recado das urnas”. Ou seja: as urnas falam, emitem mensagens. Cartola - o sambista- dizia “as rosas não falam, as rosas apenas exalam o perfume que roubam de ti”. Perfumes falam. E as urnas exalaram um cheiro estranho. O presidente diz que seu partido precisa tomar banho de “cheiro de povo”. E enquanto repousava nesses feriados e tomava banho em nossas águas, ele tirou várias fotos com cheiro de povo.
Paixão de ler. Ler a paixão.
Como ler a paixão se a paixão é quem nos lê? Sim, a paixão é quando nossos inconscientes pergaminhos sofrem um desletrado terremoto. Na paixão somos lidos à nossa revelia .
O corpo é um texto. Há que saber interpretá-lo. Alguns corpos, no entanto, vêm em forma de hieroglifo, dificílimos. Ou, a incompetência é nossa, iletrados diante deles?
Quantas são as letras do alfabeto do corpo amado? Como soletrá-lo? Como sabê-lo na ponta da língua? Tem 24 letras? Quantas letras estranhas, estrangeiras nesse corpo? Como achar o ponto G na cartilha de um corpo? Quantas novas letras podem ser incorporadas nesta interminável e amorosa alfabetização? Movido pelo amor, pela paixão pode o corpo falar idiomas que antes desconhecia.
O médico até que se parece com o amante. Ele também lê o corpo. Vem daí a semiologia. Ciência da leitura dos sinais. Dos sintomas. Daí partiu Freud, para ler o interior, o invisível texto estampado no inconsciente. Então, os lacanianos todos se deliciaram jogando com as letras - a letra do corpo, o corpo da letra.
Diz-se que Marx pretendeu ler o inconsciente da história e descobrir os mecanismos que nela estavam escritos/inscritos. Portanto, um economista também lê a sociedade. Os empresários e executivos, por sua vez, se acostumaram a falar de "qualidade total". Mas seria mais apropriado falar de "leitura total". Só uma leitura não parcial, não esquizofrênica do real pode nos ajudar na produtividade dos significados. Por isto, é legítimo e instigante falar não apenas de uma "leitura da economia", mas de algo novo e provocador: a "economia da leitura".
Não é só quem lê um livro, que lê.
Um paisagista lê a vida de maneira florida e sombreada. Fazer um jardim é reler o mundo, reordenar o texto natural. A paisagem, digamos, pode ter "sotaque", assim como tem sabor e cheiro. Por isto se fala de um jardim italiano, de um jardim francês, de um jardim inglês. E quando os jardineiros barrocos instalavam assombrosas grutas e jorros d’água entre seus canteiros estavam saudando as elipses do mistério nos extremos que são a pedra e a água, o movimento e a eternidade.
O urbanista e o arquiteto igualmente escrevem, melhor dito, inscrevem, um texto na prancheta da realidade. Traçados de avenidas podem ser absolutistas, militaristas, e o risco das ruas pode ser democrático dando expressividade às comunidades.
Tudo é texto. Tudo é narração.
O astrônomo lê o céu, lê a epopeia das estrelas. Ora, direis, ouvir & ler estrelas. Que estórias sublimes, suculentas, na Via Láctea. O físico lê o caos. Que epopéias o geógrafo lê nas camadas acumuladas num simples terreno. Um desfile de carnaval, por exemplo, é um texto. Por isto se fala de “samba enredo”. Enredo além da história pátria referida. A disposição das alas, as fantasias, a bateria, a comissão de frente são formas narrativas.
Uma partida de futebol é uma forma narrativa. Saber ler uma partida - este o mérito do locutor esportivo, na verdade, um leitor esportivo. Ele, como o técnico, vê coisas no texto em jogo, que só depois de lidas por ele, por nós são percebidas. Ler, então, é um jogo. Uma disputa, uma conquista de significados entre o texto e o leitor.
Paulinho da Viola dizia: "As coisas estão no mundo eu é que preciso aprender”. Um arqueólogo lê nas ruínas a história antiga.
Não é só Scheherazade que conta estórias. Um espetáculo de dança é narração. Uma exposição de artes plásticas é narração. Tudo é narração. Até o quadro “Branco sobre o branco” de Malevich conta uma estória.
Aparentemente ler jornal é coisa simples. Não é. A forma como o jornal é feita, a diagramação, a escolha dos títulos, das fotos e ilustrações são já um discurso. E sobre isto se poderia aplicar o que Umberto Eco disse sobre o “Finnegans Wake” de James Joyce: “o primeiro discurso que uma obra faz o faz através da forma como é feita”.
Estamos com vários problemas de leitura hoje. Construimos sofisticadíssimos aparelhos que sabem ler. Eles nos lêem. Nos lêem, às vezes, melhor que nós mesmos. E mais: nós é que não os sabemos ler. Isto se dá não apenas com os objetos eletrônicos em casa ou com os aparelhos capazes de dizer há quantos milhões de anos viveu certa bactéria. Situação paradoxal: não sabemos ler os aparelhos que nos lêem. Analfabetismo tecnológico.
A gente vive falando mal do analfabeto. Mas o analfabeto também lê o mundo. Às vezes, sabiamente. Em nossa arrogância o desclassificamos . Mas Levi-Strauss ousou dizer que algumas sociedades iletradas eram ética e esteticamente muito sofisticadas. E penso que analfabeto é também aquele que a sociedade letrada refugou. De resto, hoje na sociedade eletrônica, quem não é de algum modo analfabeto?
Vi na fazenda de um amigo aparelhos eletrônicos, que ao tirarem leite da vaca, são capazes de ler tudo sobre a qualidade do leite, da vaca , e até (imagino) lerem o pensamento de quem está assistindo à cena. Aparelhos sofisticadíssimos lêem o mundo e nos dão recados. A camada de ozônio está berrando um S.O.S., mas os chefes de governo, acovardados, tapam (economicamente) o ouvido. A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando. Lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos.
É preciso ler, interpretar e fazer alguma coisa com a interpretação. Feiticeiros e profetas liam mensagens nas vísceras dos animais sacrificados e paredes dos palácios. Cartomantes lêem no baralho, copo d’água, búzios.Tudo é leitura. Tudo é decifração.
Ler é uma forma de escrever com mão alheia.
Minha vida daria um romance? Daria, se bem contado. Bem escrevê-lo são artes da narração. Mas só escreve bem, quem ao escrever sobre si mesmo, lê o mundo também.
QUE LINDEZA MAIS LINDA
Me desculpe, mas só agora pude campear tempo para ler o romance de Riobaldo. Como que pudesse antes? Compromisso daqui, obrigação dacolá... Você sabe: a vida é um Itamarati viver é muito dificultoso.
Ao despois de depois, andaram dizendo que você tinha inventado uma língua nova e eu não gosto de língua inventada. Sempre arreneguei de esperantos e volapuques. Vai-se ver, não é língua nova nenhuma a do Riobaldo. Difícil é, às vezes. Quanta palavra do sertão! A princípio, muito aplicadamente, ia procurar a significação no dicionário. Não encontrava. Pena o título: Grande Sertão: Veredas. Nenhum dicionário dá a palavra "vereda" com o significado que você mesmo define à página 74: "Rio é só o São Francisco, o Rio do Chico. O resto pequeno é vereda." Tinha vezes que pelo contexto eu inteligia: "ciriri dos grilos", "gugo da juriti" etc. Mas até agora não sei, me ensine, o que é "arga", "suscenso", "lugugem" e um desadôro de outras vozes dos
gerais. Tinha vezes que eu nem podia atinar se a palavra era nome de bicho vivente, plantinha ou coisa sem corpo nem côr nem coragem, abstrato que se diz, não é? Ou é? Ou será?
Ainda por cima disso, você fez Riobaldo poeta, como Shakespeare fez Macbeth poeta. Natural: por que um jagunço dos gerais demais do Urucuia não poderá ser poeta? Pode sim. Riobaldo é você se você fosse jagunço. A sua invenção é essa: pôr o jagunço poeta inventando dentro da linguagem habitual dele. O vocabulário dele já é riquíssimo, dá a impressão que não ficou de fora nenhuma dicção de seus pagos e arredores; aumentado com os neologismos, sempre de boa formação lingüística, ficou um potosi, nossa! A gente acaba tendo que entregar os pontos, nem que seja um Gilberto Amado. O diabo é que depois de ler você a gente começa a se sentir e cantar eu sou pobre, pobre, pobre, rema, rema, rema, ré.
Só que acho que não precisava contar de um rojão só, como o Joyce do último capítulo de Ulysses, as 594 páginas da história de Riobaldo.
Quantas horas levaria? Eu levei dias para ler. Ainda bem que você virgulou tudo, minudente. E o caso de Diadorim, seria mesmo possível? Você é dos gerais, você é que sabe.
Amigo meu J. Guimarães Rosa, mano-velho, o menino Guirigó e o cego Borromeu são duas criações geniais. Aliás todo esse mundo de gente vive com uma intensidade assombrosa. E o sertão? O sertão é uma espera enorme.
E o silêncio? O vento é verde. Aí, no intervalo, o senhor pega o silêncio, põe no colo.
Tão deleitável tudo, nem que estar nos braços da linda moça Rosa'uarda, ou de Nhorinhá, de Ana Dazuza filha, ou daquela prostitutriz que proseava gentil sobre as sérias imoralidades.
Ah Rosa, mano-velho, invejo é o que você sabe: O diabo não há! Existe é o homem humano.
Soscrevo.
13/03/1957
>
> BANDEIRA, M. "Grande sertão: veredas". In: Poesia completa e prosa. 2
CONTOS MINEIROS
O tempo passou muito rápido em volta do meu viver. Fui muito feliz no meu destino: casei, tive filhos bons e amorosos, uma mulher dedicada e hoje, quando posso, brinco com meus netos. Mas a memória me tange pra longe, para os tempos idos, pra lembranças que sempre voltam. Mais ainda quando o corpo cansado pede repouso, silêncio e aí minha imaginação viaja a deus dará.
Um olhar de curiosidade emerge, saindo de trás de uma fogueira e o calor da imagem feminina desenha-se numa noite fria de junho, no reino da minha infância. De madrugada, nas baixadas e na beira do córrego, camada fininha de geada cobrira os pastos, as plantações. Acabara o tempo das chuvas, começava a estiagem, os pastos secavam. As andorinhas e outros pássaros partiam já pra terras mais quentes. Havia a colheita do milho, as festas, os carreiros besuntavam o eixo dos carros de boi com azeite de mamona pro carro cantar mais e afinado. Era época de fazer rapaduras, que às vezes eram desmanchadas no tacho; pingando água, davam o ponto. Viravam melado, comido depois com angu, queijo ralado ou com farinha torrada do munho. Época de o calcanhar rachar e doer, de tanto frio e poeira.
No finzinho daquela tarde de junho, todos reunidos em volta da bacia de brasa na cozinha, “causos” com ouvintes atentos e participantes, caras assustadas das crianças. Alguns se arriscavam a ir lá fora, no friozinho que fazia sair vapor na fala, depois de uma pinguinha das boas, sorvida aos goles. No centro do terreiro, uma fogueira grande com muita lenha, bambu verde pra dar tiros, gravetos. Levavam pra assar nas brasas batata doce, milho verde e pinhão. Outros preferiam os caldos gordos de feijão, de mandioca, canjiquinha com costelinha de porco, nacos de linguiça tirada dos varais enfumaçados sobre os fogões antigos. O quentão recendendo gengibre, canela, cravo, cachaça e calda de açúcar. Pra adoçar a boca, canjica e pé de moleque nos pratos esmaltados e descascados.
Em volta do terreiro e circundando a fogueira, enfeites de bandeirinhas, mastros de homenagem aos santos, bananeiras, cercas de bambu e taquara. Os homens, corajosos sedutores ou confiando na fé e na tradição, caminhavam céleres sobre as brasas. Barulho de bombinhas estourando, assustando crianças e cachorros curiosos. Foguetes subiam ao céu em meio aos gritos e vivas, cada vez mais embalados pelas bebidas quentes. A sanfona já se fazia ouvir, ritmada, iniciando arrasta-pé com os primeiros casais levantando poeira no chão batido. Tudo isso me vem à lembrança num véu de nostalgia. Sugestão dos cabelos morenos a se movimentarem na friagem da noite, do outro lado da fogueira, fora do alcance das minhas mãos e das minhas saudades.
Quieto e sonhador, vislumbrei flor natural nos cabelos soltos e cheios, jeito moleque de menina. Imagens fragmentadas de vestido colorido a rodopiar em folguedos alegres, como em câmera lenta. Mosaico de cores em intervalos do negro da noite, vermelho das chamas, amarelo da claridade da fogueira. Às vezes, a cena se congelava, talvez minha memória, e a ilusão de leve mirada. Os primeiros arroubos de moçoilo encantado, hoje saudoso de um beijo que não chegou a acontecer naquela noite. Aconteceria?
A cena reconstrói-se em palavras. Os cheiros e sabores, na fumaça da memória: imagem paralisada de uma noite junina na minha infância. Foram-se todos. Ficou a cinza da saudade daqueles tempos, no fogo da vida que se esvai, na memória de tanta estrada percorrida. Chega o ocaso avermelhado do meu inverno, após tantas geadas e tanto frio. Quando meu voo partir para outras terras, quiçá menos frias, eu seguirei o sol com a imagem do meu primeiro sonho masculino, nessa distante noite, que, acredito, me acompanhará encantada até minha estiagem.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
A GRANDE TRANSFORMAÇÃO
Rubem Alves
A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer. Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quandopassamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Pode ser o fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre, não estar bem colocado no mercado de trabalho. Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão,sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio rápido: Apagar o fogo. Sem fogo, o Sofrimento diminui. Mas com isso, também desaparece a possibilidade de grande transformação. Mas é no fogo que as mudanças ocorrem. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente que ela mesma nunca havia sonhado. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre de pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo. E você, o que é? Uma pipoca estourada ou um piruá?
A ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO EM PROJETOS EMPREENDEDORES
Palavras-chave: Atuação do psicopedagogo; aprendizagem para a diversidade; sujeito aprendente.
Este artigo se inicia abordando a importância de se falar do reconhecimento, da aceitação e do olhar para a multiplicidade. Não é possível falar sobre o trabalho do psicopedagogo, principalmente em ações empreendedoras, sem antes entender o conceito da subjetividade e da diversidade. Edgar Morin (2000), em seu livro Os sete saberes necessários à educação do futuro, nos apresenta um dos pressupostos básicos para a educação: o princípio da unidade/diversidade em que se insere o olhar dos educadores para a multiplicidade.
1 Projeto Empreendedor
1.1 Colchas de retalhos: Tecendo histórias
O Projeto Colchas de Retalhos: tecendo histórias é um projeto desenvolvido pela autora com o objetivo de inserir o idoso, contador de histórias, no universo da criança e do adulto, por meio do jogo, do brincar e da contação de histórias, que são desenhadas e bordadas pelos participantes, que constroem juntos uma colcha de retalhos. Este Projeto tem sido desenvolvido em algumas escolas e instituições educacionais por meio de contratação autônoma. Ao se definir o projeto, todas as fases foram identificadas e avaliadas, considerando os três pilares principais: A iniciativa empreendedora (Comportamento Empreendedor); O planejamento e desenvolvimento do projeto (Fundamentos da Administração); e o foco centrado nos processos de aprendizagem, inserção e valorização da memória e da subjetividade dos sujeitos envolvidos (Psicopedagogia).
1.2 A Iniciativa Empreendedora
O projeto teve como ponto de partida o olhar para a diversidade, multiplicidades. O tema, ainda com ações insipientes, se mostra inovador e intelegível para lidar com problemas contemporâneos, como o diálogo difícil entre as gerações. A princípio, buscou-se por meio de pesquisas informais em escolas e em algumas comunidades se havia demanda e oportunidades para a inserção deste trabalho. Os resultados foram positivos e os desafios (prazerosos) começaram a ser estabelecidos e superados.
1.3 O Planejamento do Projeto
A segunda fase foi iniciada: desenhou-se o projeto e as estratégias que seriam empregadas não só para a realização dele como também para a divulgação e marketing. Quem contrata o projeto é a Instituição Escolar cujo público alvo envolve a família, o alunado, os professores e a comunidade local. O foco do projeto é a inserção do idoso no grupo, que medeia as narrativas contadas por várias gerações, destacando a importância da memória nas relações sociais. A duração do projeto é definida pela contratante a partir dos objetivos traçados. Ou seja, existem formulações e adaptações do projeto para atender às necessidades de cada grupo.
1.4 A Atuação do Psicopedagogo
O psicopedagogo, como mediador do projeto, tem por responsabilidade trabalhar os processos de aprendizagem, por meio do brincar e da memória, utilizando as diversas histórias e características de narradores (subjetividades). Ao mesmo tempo em que se trabalha a aprendizagem do idoso, as outras gerações também se voltam para a valorização, inserção e aceitação dessa fase do processo de amadurecimento do ser humano, com respeito e admiração.
Considerações Finais
A Atuação do psicopedagogo deve ser uma prática social ética que busca realizar nos sujeitos humanos as características de humanização plena. Ela está ligada a processos de comunicação e interação pelos quais os grupos de pertencimento de uma sociedade (aprendente, psicopedagogo, família e escola) assimilam saberes, habilidades, técnicas, atitudes, valores existentes no meio culturalmente organizado, ganhando conhecimento necessário para produzir novos saberes, técnicas e valores (PAIN, 2002). Portanto, o objetivo maior dos psicopedagogos é contribuir para a construção permanente da cidadania e da individualidade dos sujeitos. E somente por meio da educação é possível se pensar em uma intervenção revolucionária no mundo, como nos diz Freire (1997). Tonucci (2006, p.69) nos aponta que “o homem, como sujeito que aprende, é constituído pelo que aprende, e não pode desvincular o que faz no mundo daquilo que faz de si mesmo, por sua capacidade de reflexão.” A capacidade de entendimento e reflexão sobre os desafios deve impulsionar o psicopedagogo a criar novas formas de ação, desenvolvendo empreendimentos capazes de superar obstáculos e contribuir para a educação, impulsionando projetos educacionais inovadores.
Referências
FERNANDEZ, Alicia. Os idiomas do aprendente: análise de modalidades ensinantes com famílias, escolas e meios de comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia - Saberes necessários `a prática educativa. São Paulo: Paz e Terra (Colecção Leitura), 1997.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000.
PAIN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002.
TONUCCI, Francesco. Com Olhos de Criança. Porto Alegre: Artmed, 2006.
terça-feira, 20 de julho de 2010
HOMENAGEM AOS LEONINOS
A DIFERENÇA ENTRE EFICIÊNCIA E EFICÁCIA
EFICIÊNCIA - são os métodos (meios), os caminhos utilizados para se atingir um objetivo.
EFICÁCIA- são os resultados (objetivos) alcançados.
Portanto, se quer, por exemplo, passar em um concurso público, você terá que traçar métodos de estudos eficientes, dedicar-se ao aprendizado dos conteúdos. Isso é a eficiência.
Quando você consegue ser aprovado e nomeado nesse concurso, isso se chama eficácia, pois é a conquista de seu objetivo.
Poema Rural
Pausa aos alaridos
Pão de queijo de féculas de mandioca
Sentado no banco
Com nós nas pernas
Embevecido co'a conversa fiada
Um cheiro de lenha no fogão
E o café molhando a palavra calada
De só ouvidos.
Revise seus textos!
Daniela Theodoro
Tenho visto por aí vários textos publicitários, jornalísticos, legendas de filmes, trabalhos acadêmicos que circulam nos diversos canais de comunicação sem qualquer preocupação com a qualidade da escrita, sem revisão textual. E me pergunto: Por que as pessoas não valorizam a redação do próprio texto? Será que não compreendem que ele é, na verdade, a construção da imagem pessoal refletida no papel?... Precisamos aqui urgentemente de um complexo de Narciso.
Vejo as pessoas comprando roupas novas, de marcas, carro novo; vejo as empresas gastarem muito dinheiro com publicidade, com divulgação (tudo bem!), mas não as vejo preocupadas em buscar orientações de um profissional para que lhes assegure comunicações escritas adequadas e competentes. Falta consciência de mercado. Falta cultura de visibilidade e dinamismo nas comunicações. Falta valorização de uma escrita de qualidade.
O trabalho de escrever é árduo: “e teima e lima e sofre e sua” como nos dizia Olavo Bilac. Escrever é extremamente importante, porque comunica uma ação, um pensamento, que se transforma em mensagens. Escrever não é só colocar ideias no papel. Existe uma situação, uma cultura, um contexto, uma intenção. E o que você quer dizer? O que você quer que se saiba a seu respeito?
A escrita é, sem dúvida alguma, uma das habilidades mais negligenciadas por todos, principalmente no mundo empresarial. Por outro lado, é a habilidade mais importante exigida por ele, visto que é preciso clareza, objetividade, transparência nas interações.
As organizações estão preocupadas basicamente em produzir e vender, e não sabem falar de seus produtos. Com isso, desnuda-se a visão simplista e subdesenvolvida de que “qualquer coisa serve, desde que esteja vendendo”.
É preciso planejamento, passar a limpo o discurso. Para isso, desenvolva uma comunicação estratégica, adequada e correta, para deixar claro quem você é, qual é o seu papel e espaço na sociedade.
DICAS DE PORTUGUÊS
Em princípio / A princípio
Ex: Em princípio, podemos considerar que a terra é redonda.
A princípio = no início, inicialmente, no começo.
Ex: A princípio, abordaremos o conceito de substantivo, depois o de
adjetivo.
Ao invés de / Em vez de
Ex: Ao invés de usar vestido escuro, usou um branco.
Em vez de = no lugar de – em substituição a
Ex: Em vez de estudar para a prova, preferi dormir.
Tampouco/ tão pouco
Tampouco = também não/ muito menos
Ex: Não se prendem bicheiros, tampouco políticos.
Tão pouco = muito pouco
Ex: Ele ganha tão pouco!!
Afim de / a fim de
Afim de = próximo, semelhante
Ex: Matemática e física são matérias afins.
A fim de = com a finalidade de
Ex: Estudo muito a fim de passar no concurso.
Cerca de / acerca de/ Há cerca de
Cerca de = quantidade aproximada, perto de
Ex: Cerca de vinte pessoas passaram para a primeira etapa.
Acerca de = sobre, em relação a
Ex: Discutimos acerca de todos os problemas apresentados.
Há cerca de = tempo aproximado
Ex: Estou lhe esperando há cerca de duas horas.
De encontro a / Ao encontro de
De encontro a = contrário, oposição
Ex: Nossa opinião vai de encontro à sua.
Ao encontro a = concordância
Ex: Nossa opinião vai ao encontro da sua.
domingo, 18 de julho de 2010
Amor em Tempos Virtuais
Antologia Poética
AMOR EM TEMPOS VIRTUAIS
(Maria Aparecida de Assis Teodoro)
Tela e letra
Tecla e traço.
Teu corpo etéreo
se incorpora e avança e salta e fala...
esguia forma...
Inscrevem-se nele letras e sons e luzes e brilhos
ante meus olhos fascinados!
Fantasma que me prende...
gasoso, impalpável...
Imagens que perduram
e afagam minhas retinas cansadas.
Na sombra se projeta uma diversa imagem.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS
O apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
BARROS, Manoel de. O apanhador de desperdícios. In. PINTO, Manuel da Costa.
Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 73-74.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
“Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra. O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela.O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo.”
“Não se pode conhecer as partes sem conhecer o todo, nem conhecer o todo sem as partes.” (BLAISE PASCAL- 1623-1662).
Na contemporaneidade, múltiplos são os fios, diversas são as redes em que as linguagens se intercosturam, se intertecem na nossa relação com o mundo, com o outro e com nós mesmos.
A teia da vida só é possível e compreensível pela aprendizagem (que se dá nas relações de linguagens), pois somos seres numa teia, interdependentes e articulados numa dinâmica dialógica, histórica, social e cultural (BEAUCLAIR, 2004). Essas interações nos conduzem ao longo trilhar e tecer da vida. Desse processo, o mundo e nós, seres humanos, nos revelamos e ganhamos forma, sentido e significados.
Referências:
BEAUCLAIR, João. Olhar, ver, tecer: a busca permanente da teoria no campo psicopedagógico. IN: PINTO, Sílvia A. Mello, (coord.) e SCOZ, Beatriz J. et al (orgs.). Psicopedagogia: contribuições para a educação pós-moderna. Petrópolis: Vozes, 2004.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2002.
VYGOSTYSK, Lev Semenovich. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2000.