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Seja bem-vindo a este espaço de interlocução, em que o pensar habita o momento.

Aqui o diálogo e a reflexão sobre linguagens e comportamentos humanos contemporâneos se constituem e se configuram num tecer contínuo e múltiplo de fios e teias e redes.

São as palavras que dão som de ditos, saber e sabor de confabulações. Ora diálogo ora sussurro ora conversas. Vozes desassossegadas.

Meu convite ...


Cafezinho Mineiro
sentar-se na cozinha ao pé do fogão à lenha, cafezinho com pão de queijo, broa de fubá e boa prosa, divagações...

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segunda-feira, 12 de julho de 2010

O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS

Este poema maravilhoso de Manoel de Barros veio me visitar hoje, compondo os meus silêncios.

O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

BARROS, Manoel de. O apanhador de desperdícios. In. PINTO, Manuel da Costa.
Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 73-74.

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